É comum em bares ouvir brincadeiras com versos. Há uma
famosa em que o bebedor levanta o copo e diz:
“Eu bebo da branca, bebo da amarela
Só não bebo da azul porque não tem dela”.
Mas tem cachaça azul sim, é a Tiquira, que na língua tupi
significa “líquido que goteja, que pinga do alambique”.
A Tiquira é típica do Maranhão e tem alto teor alcoólico e
por ser feita de mandioca pode ser considerada a única cachaça típica do
Brasil, pois a cana veio da Europa.
Na verdade a Tiquira é incolor, mas é comum adicionar folhas
de tanja e aí ela fica meio azulada, meio cor de violeta.
Mas, dizem que depois de se tomar a Tiquira a pessoa não
deve tomar banho, pois se fizer isto fica muito bêbado e pode até morrer.
Sua origem é dada nas tribos indígenas locais que utilizavam
a bebida em festejos e rituais.
A fabricação começa com a limpeza e retirada da parte tóxica
da mandioca brava, que é venenosa. Ela é prensada e colocada sobre uma chapa
aquecida em forma de bolos com 30 cm de
diâmetro, conhecidos como "beijus", até ter a parte interna ser
cozida.
Após o resfriamento à
temperatura ambiente, os beijus ficam expostos ao ar por até duas semanas onde ocorre a
proliferação espontânea dos esporos dos fungos do ambiente(início da
fermentação). É criada sobre os beijus uma flora de micélios, de cor rosada,
nesta etapa ocorre a sacarificação. Em seguida ela é posta em um cocho (tronco
de árvore com escavado) sobreposto com água. Em 24 h pode-se encontrar uma massa
de pouca resistência e xaroposa, deve ser mexida e posta para descanso por mais
dois dias concluindo o processo de fermentação alcoólica, onde ocorre a
transformação dos açúcares fermentescíveis do caldo em álcool, pela ação das
leveduras que se desenvolvem no próprio ambiente da produção. Ela atinge de 38°
a 54° GL. Após esta etapa o mosto é destilado em alambiques de barro ou de
cobre,

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